Em alguns casos práticos, como na publicidade, o fotógrafo deve ter muita consciência sobre suas intenções, considerando que estas deverão estar à disposição do cliente, em outros gêneros da fotografia isso nem sempre acontece. Embora a fotografia já tenha alcançado o status de expressão artística, em diversos casos cabe o questionamento sobre a real clareza que tem (ou não) o fotógrafo em relação aos seus objetivos. Essa é uma questão que pode direcionar toda a preocupação com a Linguagem fotográfica. Assim, nos usos amadores, a possibilidade de confusão das intenções e controles do fotógrafo fica ainda mais evidente, pois muitas vezes é o aspecto unicamente visual que convida ao fazer fotográfico, o que não vem a ser exatamente um problema na aplicação doméstica ou amadora, mas pode ser lamentável no âmbito profissional ou mais reflexivo.
De toda forma, ao conhecer um pouco mais as obras citadas aqui, pode-se ver que alguns conceitos são bastante semelhantes nas diferentes perspectivas teóricas sobre Linguagem fotográfica, o que é bastante saudável ao diálogo e reflexão sobre o assunto.
Por outro lado, cabe a nós, fotógrafos, entendermos da melhor maneira tais raciocínios e reflexões para colocarmos, na prática, de forma cada vez mais eficiente, nossa Linguagem fotográfica. Ou seja, com quais intenções estamos utilizando recursos como o foco e a luz? Em que interfere o filme (ou a configuração da câmera digital, pra facilitar nosso raciocínio) na foto e na mensagem final? Uma foto PB é apenas uma foto colorida sem saturação, ou isso modifica o conteúdo da foto? E a foto final, como eu estou entregando: só digital, impressa em papel fotográfico ou ampliada a capricho, emoldurada etc.?
Ao encararmos questões como estas, conseguimos refletir sobre nosso próprio uso de Linguagem fotográfica, ou seja, como estamos nos expressando através da fotografia.
Como apresentamos no início deste capítulo, na análise do fotolivro O Chão de Graciliano percebemos que diversas decisões anteriores à captação direcionaram o trabalho ao longo de toda sua construção, com pequenas variações. Também no momento do click, várias decisões exigiram uma captação diferenciada, como as escolhas de equipamento e suprimento. E o mesmo ocorreu em etapas posteriores, com definições de revelação e ampliação, da edição, de definições técnicas do fotolivro…. Tudo isso foi decidido e amadurecido ao longo de todo o processo de criação, e, assim, a Linguagem fotográfica deste trabalho foi sendo aplicada. Ou seja, Linguagem fotográfica não é o que, mas como.
No quadro abaixo, temos um breve resumo do que foi apresentado a partir dos autores e conceitos teóricos de Linguagem fotográfica até aqui, e o leitor está convidado a refletir sobre a sua própria produção, bem como sobre a produção de autores que conhece e admira: